domingo, 15 de maio de 2011

BRASIL? #FAIL

Gostar de música e ser músico são coisas bem distintas. Para gostar de música, basta escutá-la. Já pra ser músico é imprescindível gostar de música, porém, não é necessário que quem goste de música seja músico. Diferenças básicas: Gostar de música qualquer pessoa é capaz. Agora, ser músico, além de ter que gostar muito de música, tem que ter vontade, talento, dedicação, paciência e dinheiro.

Apreciar a música é uma arte que se tornou muito fácil nos tempos de hoje. Com o avanço das tecnologias ter acesso à arte é muito fácil: Basta ter um computador, acesso à Internet e audição (melhor ainda se tiver uma "audição com bom senso").

Agora, ser músico... são outros quinhentos. Um músico precisa de instrumentos e equipamentos de áudio no mínimo modestos e, o acesso a eles não é tão fácil no Brasil. Tanto pela questão logística, afinal, nosso pobre país não tem mão de obra qualificada o bastante para fabricar produtos de qualidade, que a maioria dos músicos exige. Outra pelo fato de que os impostos aqui são absurdos. Falo dos impostos de importação, pois a maioria destes equipamentos não são fabricados aqui.

As taxas são absurdas e abusivas e na maioria das vezes acabam impossibilitando um bom músico ir em frente por falta de equipamentos. Uma questão retórica: "Se o Brasil não tem mão de obra, capacidade técnica e tecnologia o suficiente para suprir os consumidores exigentes, como músicos e amantes da tecnologia, porque impõe taxas absurdas nos impostos de importação?" O consumidor acaba ficando adstrito ao lixo produzido pelas empresas brasileiras e acaba regredindo.

Em uma conversa com um colega sobre o assunto, achei sua opinião muito justa e modesta, pois ele, em certo ponto concorda com a questão das taxas. Na teoria é muito bonito. Seria, em tese, uma proposta ambiciosa a longo prazo para estimular nossas empresas brasileiras a "adquirir" (pois a questão aqui é pecúnio) a tão deficiente mão de obra especializada e capacidade técnica que tanto carece o nosso país. Ao impor ao consumidor as tão mencionadas taxas, o Estado, acaba ponto duas alternativas: 

  • Compre no Brasil e estimule o nosso comércio interno.
  • Compre no exterior, porém, pague taxas, estas que são revertidas em favor do país e a nossa indústria (em tese, supostamente, em princípio sim, não necessariamente).

Na minha humilde opinião é uma ideia utópica. Por ser um plano de longo prazo, quem precisa AGORA, PRA AMANHÃ, acaba se entregando, comprando coisas de baixo padrão de qualidade ou pagando impostos exorbitantes. CORRE BINO, É UMA CILADA.

Para simples demonstração, fiz uma colagem grotesca no paint, comparando os preços dos produtos alvo dos músicos mais exigentes e entusiastas de gravação, nas lojas recomendadas por mim nas abas de navegação do blog. Elas, a B&H Photo, Video & Pro Audio loja americana de grande prestígio em todo o mundo, e as brasileiras Playtech, Musical Grellmann e outras.

Cliquem nas imagens para ampliar!


Não é birra, nem pirraça de criança grande! A diferença é gritante e desproporcional.

Algumas considerações:

  • Pagar imposto? Tudo bem, ótimo, concordo! Mas que seja um imposto justo, que seja condizente com a realidade do consumidor brasileiro!
  • Pagar imposto? Sim como já falei, mas que o imposto seja pago pelo valor real do produto também, o que na maioria das vezes não ocorre. Por exemplo: Comprei um produto que custa U$ 200,00 e o principal, PAGUEI OS DUZENTOS DÓLARES PELO PRODUTO MAIS O SEU FRETE e, chegou na Receita Federal, sendo "taxado" como um produto que custa U$ 500,00. Simplesmente por "amostragem", osmose, telepatia ou presunção (usem as expressões que melhor acharem), acabei levando prejuízo. Claro que posso pedir pro Órgão verificar a veracidade do valor declarado novamente, entretanto, o processo leva de 90 a 120 dias. E aí se eu estou dependendo do produto pra trabalhar? Toma ferro, esse é o lema do brasileiro.
  • Não tenho nada contra o Brasil. Mas não tenho nada a favor também. O sistema é quebrado, burocratizado, ou seja, falho = #fail. Além de tudo, sujo, infelizmente. Essa é uma questão que demandaria outro tópico para discussão que já é fora do foco do meu blog.
Tópicos para futuras discussões e questionamentos básicos:
  • O atual sistema implantado no Brasil é realmente funcional?
  • O atual sistema implantado no Brasil pode vir a trazer as tais benfeitorias citadas a curto ou a longo prazo?
  • A monopolização da relação consumista direcionada às grandes empresas Brasileiras tem se beneficiado com tudo isso?
  • Por fim, uma questão retórica: O consumidor Brasileiro, aquele exigente, com sede de tecnologia e qualidade, tem se beneficiado com tudo isso? Vale à pena neste momento?
Como sou um acadêmico de Direito, gostaria muito de compartilhar um pensamento que venho guardando comigo há muito tempo. Claro, não no sentido pejorativo ou ofensivo.

"Ordem e Progresso" é o lema nacional da República Federativa do Brasil a partir do momento de sua formação. A expressão é o lema político do Positivismo, forma abreviada do lema de autoria do positivista francês Augusto Comte: "O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim" (em francês L'amour pour principe et l'ordre pour base; le progrès pour but.). Seu sentido é a realização dos ideais republicanos: a busca de condições sociais básicas (respeito aos seres humanos, salários dignos etc.) e o melhoramento do país (em termos materiais, intelectuais e, principalmente, morais).

Ordem? Até um certo ponto sim.  Mas falta MUUUUUUITO pra se concretizar o objetivo principal da expressão "ordem" aqui no Brasil.
Progresso? Não estamos nem no começo meus caros. A defasada expressão "sou brasileiro e não desisto nunca" não tem mais nenhum significado lógico, real ou sequer válido. Estamos batendo na mesma tecla há muito tempo, e dela parecepost é um exemplo real, palpável do que estou escrevendo.

O que fazer? Alguns lutam, brigam, criticam (como estou fazendo). Já alguns, sentam e choram. E assim o ciclo nunca termina e a bola de neve aumenta. Um dia, essa dinamite que NÃO temos em nossas mãos vai explodir. Muitas baixas terão.

Grande abraço!

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